CARTA ABERTA DA FNS-B AOS SENADORES E ÀS SENADORAS PELO FIM DA ESCALA 6X1!
A Federação Nacional dos Sociólogos – Brasil, fundada em 19 de julho de 1989, consolidou a união das antigas associações profissionais e sindicatos estaduais da categoria para representar os interesses trabalhistas e lutar pela profissão de sociólogo e socióloga no Brasil. Em 18 e 19 de julho de 2014, num encontro de entidades sindicais de sociólogos do país, realizado no Rio de Janeiro, depois de alguns anos de inatividade, a Federação dos Sociólogos foi reorganizada.
Nesse momento de efervescência
política, fenômeno que marca todo ano eleitoral no Brasil, a FNS-B dirige-se a
V.Exa. e aos demais Senadores e Senadoras da República em defesa da PEC que põe
fim a escala 6x1, já aprovada na Câmara Federal. A Proposta de Emenda à
Constituição (PEC 221/2019) que propõe o fim da escala 6x1 está travada no
Senado Federal. A matéria aprovada pela Câmara dos Deputados aguarda definição
de rito por parte da vossa Presidência.
O fim da escala 6×1 (seis dias
de trabalho por um de descanso, durante a semana), através de Proposta de
Emenda à Constituição (PEC), tem gerado intensos debates sobre seus possíveis
impactos na economia brasileira.
Entidades empresariais, como
Fecomércio-SC (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa
Catarina) e Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina),
apoiadas pela oligomídia, apontam sérios riscos para os negócios e o emprego em
caso de aprovação da PEC do fim da escala 6×1. Os empresários alegam que o fim
dessa escala acarretaria a inviabilidade de setores que dependem fortemente de
mão de obra, como restaurantes, comércio no varejo, turismo e saúde, o aumento
do custo, risco de desemprego, ameaça de aumento da informalidade na economia e
pressão inflacionária devido ao aumento dos gastos com mão de obra.
Sabemos que esses são velhos e
carcomidos argumentos, sempre usados contra as reivindicações da classe
trabalhadora ao longo da história. Vimos argumentos similares serem levantados
por ocasião da instituição do salário mínimo, em 1936, quando da criação da CLT
(Consolidação das Leis do Trabalho), em 1943, na ocasião da aprovação da lei do
13º salário, em 1962, dentre tantas outras reivindicações e conquistas
históricas dos trabalhadores e trabalhadoras. De todas essas lutas, talvez a
aprovação do 13º salário tenha sido aquela que ocorreu dentro do mais intenso
embate ideológico entre as classes sociais no Brasil. A aprovação do 13º se deu
dentro do contexto das lutas pelas reformas de base, durante a presidência de
João Goulart. Seu governo se estendeu de 1961 a 1964 e ficou marcado pela
polarização entre esquerda e direita, tendo sofrido um golpe de estado em 1964.
Grandes batalhas também foram
travadas no interior da Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988). Podemos
destacar, dentre outras, a luta pela redução da jornada de trabalho. Desde
longa data, o movimento sindical reivindicava a redução da jornada para 40
horas semanais. Depois de intensos debates na Constituinte, a bancada
progressista conseguiu a redução da jornada de 48 para 44 horas semanais.
Hoje, a luta pela redução da
jornada de trabalho se insere dentro de um contexto histórico de intensa
polarização e grandes embates. Pesquisa produzida pela consultoria econômica
Germinal sobre os impactos socioeconômicos relativos ao fim da escala 6×1 desconstroem
as narrativas empresariais e da grande mídia. O estudo demonstra que a redução
da jornada de trabalho, ao contrário de tudo o que a mídia oligopolista diz,
geraria a criação de novos empregos, promoveria ganhos de produtividade,
reduziria a desigualdade social, aumentaria o PIB e provocaria um efeito
multiplicador de consumo (ICL – Notícias, em 20/3/26). Segundo os autores,
embora a pesquisa tenha sido feita em Santa Catarina, ela pode ser extrapolada
para todo o Brasil. Pesquisa de opinião do Datafolha demonstra também que 71%
dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.
A redução da jornada de
trabalho é uma luta histórica da classe trabalhadora. Países como Holanda,
Alemanha, Irlanda, Itália, Austrália, França, dentre outros, reduziram suas jornadas
de trabalho semanais para menos de 40 horas com grande sucesso e graças à luta
travada pelos trabalhadores e trabalhadoras dessas nações.
A Marcha da Classe
Trabalhadora à Brasília, ocorrida no dia 15 de abril deste ano, promovida pelas
centrais sindicais (CUT, CTB e outras centrais), reuniu milhares de
trabalhadores para entregar suas pautas de reivindicação ao Governo Federal e
ao Congresso Nacional e tem como centro das reivindicações o fim da escala 6×1.
Assim, solicitamos a V.Exa.
que destrave a tramitação da PEC do fim da escala 6x1 e a ponha em votação.
Temos certeza que esse egrégio Senado ficará ao lado do povo brasileiro, como
sempre esteve em memoráveis lutas, votando favoravelmente pela redução da
jornada de trabalho, sem redução de salário!
Comentários
Postar um comentário